Márai, Sándor, As Velas ardem até ao fim (A Gyertiák Csonkig Égnek), Dom Quixote, Tradução de Maria Magdolna Demeter, 2007.Dois amigos com sensibilidades diferentes reencontram-se na etapa final das suas vidas no castelo de um deles, local onde se concentram todas as memórias comuns, todos os quadros de união e clivagem entre ambos.
Não se viam há quarenta e um anos e, no entanto, essa ausência, esse espaço que se criara entre eles e que fora preenchido por anos de inquietude e por uma paciência rendilhada de íntimas certezas, era uma quase garantia de que se voltariam a encontrar, de que tudo o que fora dito apenas com a argúcia do olhar seria, no momento do reencontro, proferido por meio de palavras audíveis, com a objectividade que a espera de décadas tornara possível.
Konrád era proveniente de uma família que vivia com dificuldades e que se sacrificara para o enviar para a Academia militar, já ao General era-lhe proporcionada uma vida de abastança e a escolha da carreira militar tinha tanto de natural como de genuína inclinação do garboso jovem sem génio artístico, prático e racional nas suas preferências.
O amigo rico torna-se “protector” do amigo pobre complementando-se como companheiros inseparáveis. A amizade que os une é pura e inequívoca mas à medida que as suas personalidades se vincam pendendo a índole de um para a música e a de outro para as coisas da guerra, demonstrando até incompreensão e desprezo pela “utilidade” da música, a sua amizade dilui-se na perplexidade, na descoberta de que o outro é, afinal, diferente, fraco por se entregar à arte em detrimento da entrega à pátria, incapaz por não reconhecer a improficuidade do solo que escolhera pisar, a infertilidade da semente que ousara lançar.
A amizade cedia terreno à ruptura definitiva.
O General casa-se com Krisztina e também ela é diferente.
Numa caçada Kónrad aponta a arma ao amigo e este, apesar de se encontrar de costas, pressente a tentação e principia uma reflexão sobre o que motivara aquele momento e essa meditação dura quarenta e um anos porque Kónrad parte, desaparece sem deixar rasto.
Quarenta e um anos dura a espera do General para confrontar o amigo com a traição que fora cometida por ele e por Krisztina, a que também diverge da normalidade e ordem incorporadas pelo General.
A reconciliação ou pelo menos uma espécie de paz que lhe permitam terminar os seus dias com a tranquilidade dos que procuram a verdade é o que os dois homens perscrutam à luz das velas que ardem até ao fim na longa noite de confidências.
Não se viam há quarenta e um anos e, no entanto, essa ausência, esse espaço que se criara entre eles e que fora preenchido por anos de inquietude e por uma paciência rendilhada de íntimas certezas, era uma quase garantia de que se voltariam a encontrar, de que tudo o que fora dito apenas com a argúcia do olhar seria, no momento do reencontro, proferido por meio de palavras audíveis, com a objectividade que a espera de décadas tornara possível.
Konrád era proveniente de uma família que vivia com dificuldades e que se sacrificara para o enviar para a Academia militar, já ao General era-lhe proporcionada uma vida de abastança e a escolha da carreira militar tinha tanto de natural como de genuína inclinação do garboso jovem sem génio artístico, prático e racional nas suas preferências.
O amigo rico torna-se “protector” do amigo pobre complementando-se como companheiros inseparáveis. A amizade que os une é pura e inequívoca mas à medida que as suas personalidades se vincam pendendo a índole de um para a música e a de outro para as coisas da guerra, demonstrando até incompreensão e desprezo pela “utilidade” da música, a sua amizade dilui-se na perplexidade, na descoberta de que o outro é, afinal, diferente, fraco por se entregar à arte em detrimento da entrega à pátria, incapaz por não reconhecer a improficuidade do solo que escolhera pisar, a infertilidade da semente que ousara lançar.
A amizade cedia terreno à ruptura definitiva.
O General casa-se com Krisztina e também ela é diferente.
Numa caçada Kónrad aponta a arma ao amigo e este, apesar de se encontrar de costas, pressente a tentação e principia uma reflexão sobre o que motivara aquele momento e essa meditação dura quarenta e um anos porque Kónrad parte, desaparece sem deixar rasto.
Quarenta e um anos dura a espera do General para confrontar o amigo com a traição que fora cometida por ele e por Krisztina, a que também diverge da normalidade e ordem incorporadas pelo General.
A reconciliação ou pelo menos uma espécie de paz que lhe permitam terminar os seus dias com a tranquilidade dos que procuram a verdade é o que os dois homens perscrutam à luz das velas que ardem até ao fim na longa noite de confidências.



























What Flower
Are You?