domingo, dezembro 09, 2007

"Indomável - Uma Luta pela Liberdade" de Wangari Maathai

Maathai, Wangari, Indomável – Uma luta pela Liberdade (Unbowed), Bizâncio, Tradução de Fernando Dias Antunes, 2007.


Galardoada com o Prémio Nobel da Paz em 2004, Wangari Maathai oferece-nos um auto-retrato despretensioso e, acima de tudo, revelador do que começou por ser uma luta solitária pelo despertar da consciência ambiental no Quénia, seu país de origem, e que rapidamente se converteu num combate pela democracia partilhado por muitos.
Acompanhamos o percurso de vida da autora desde os primeiros anos passados na fazenda do Senhor Neylan, onde o pai trabalhava e por quem o Inglês tinha estima e confiança, até à sua passagem pelo Colégio de Santa Cecília onde a educação católica ministrada pelas freiras italianas exerceu profunda influência na jovem Wangari tendo-se mesmo convertido ao catolicismo, isto apesar de nunca abdicar das suas raízes Kikuyo.
Wangari Maathai torna-se conhecida no Quénia quando o seu processo de divórcio assume contornos de humilhação pública, a partir desse momento basilar, inicia um trajecto como activista a favor da igualdade das mulheres numa sociedade queniana que gravitava somente em torno da figura do homem; como activista ambiental através da fundação do Movimento Green Belt, responsável pela plantação de cinturas verdes em toda a África; e activista a favor da implementação de uma democracia efectiva no Quénia.
Uma das iniciativas mais impressionantes por Wangari despoletadas e por si relatadas no seu livro, está relacionada com a tentativa, por parte do governo queniano, de construção de um edifício de grandes dimensões no Parque Uhuru, considerado o pulmão da cidade de Nairobi. É um exemplo de conjugação de luta ambiental e política e na qual Wangari Maathai se envolveu e envolveu o mundo para salvar aquele espaço verde.
Perpassa pela obra uma ideia da dificuldade em se ser mulher no Quénia e, sobretudo, em se ser uma mulher incómoda, uma mulher doutorada, uma mulher que não se rendeu à vontade dos homens do seu país. Wangari Maathai permaneceu fiel aos seus princípios, tomou a iniciativa em inúmeras questões de importância para o Quénia e permanece insubmissa como sempre, igual a si própria. Indomável.

5 comentários:

Abssinto disse...

Já foste `a Byblos?

Carla Milhazes Gomes disse...

Julgo ainda não ter lá ido...

Porquê?

Carla Milhazes Gomes disse...

Não fui mas já deixei o link nas "Livrarias", obrigado pela lembrança!

E pela dica, parece ser um novo e interessante conceito de livraria;)

Bjs.

Abssinto disse...

Já lá fui mas não encontrei o supracitado fundo de catálogo...aliás, mesmo os títulos correntes, frescos lá rareavam. Presumo que por ter sido mais um caso de "abertura à pressa". Devia ter ido lá mais tarde:) Em todo o caso, o facto de estar situada naquele local não me parece que seja muita chamativo, não levei carro e subi a pé, desde o Marquês de Pombal até às Amoreiras (não estive para esperar ao frio por um autocarro).

Carla Milhazes Gomes disse...

Nesse caso vou esperar talvez mais uns meses até lá ir para lhes dar tempo para se abastecerem a sério:)

Bjs.