segunda-feira, dezembro 08, 2008

"Carrie" de Stephen King

King, Stephen, Carrie, Tradução de Maria Filomena Duarte, Bertrand Editora, 2008.

A história de Carrie White, uma jovem adolescente rejeitada com o dom (ou a maldição) da telecinesia, é contada por várias vozes que sobreviveram à vingança do Baile de Finalistas e que participam no inquérito aos acontecimentos daquela noite fatídica.

Assim, sabemos que Carrie vivia com uma mãe que professava uma fé religiosa ultra conservadora impondo à filha, por meio da violência psicológica, os valores e atitudes desencadeantes do afastamento do mundo profano e repleto de tentações; Sabemos que Carrie vestia roupas largas que escondiam as formas do seu corpo e desconhecia os factos mais naturais da vida como é o caso da menstruação; sabemos que quando tinha cerca de três anos uma chuva de pedras se abateu sobre a casa em que vivia com a mãe e essa fora a primeira manifestação da telecinesia, analisada numa base científica como sendo algo de hereditário, uma espécie de doença que se manifestava quando o sujeito estava sob uma forte tensão provocando a mobilidade de objectos estáticos; sabemos que Carrie era e sempre fora vítima de perseguição por parte das alunas mais populares na escola que frequentava; sabemos que fora convidada para o Baile de Finalistas e que no momento de receber o prémio de Rainha do Baile juntamente com o seu par, algo de inominável acontecera despoletando a vingança de Carrie naquele pavilhão e depois um pouco por toda a cidade.

Carrie como o fruto do pecado, como a lembrança viva da prevaricação da sua mãe, enfrentou-a para se tornar em alguém normal por uma noite. Fez o seu vestido, foi genuinamente elogiada por aqueles que a desprezavam horas antes, aplaudida quando subiu ao seu palco de glória e por fim, quando nada poderia já correr mal, foi ridicularizada perante aquelas centenas de pessoas voláteis.

As portas foram encerradas com um simples olhar. Carrie primeiro estática ao ser, novamente, o centro da mofa alheia, depois move-se freneticamente para fugir das gargalhadas que a dilaceram.
Depois de fechadas as portas, instala-se o pânico e tudo se move sozinho e as chamas purificam o local onde o cordeiro foi publicamente sacrificado.

Carrie ainda vagueia pela cidade enquanto a mãe a espera com uma faca para a matar, para o derradeiro derramamento de sangue, a imolação final.

Este romance de Stephen King aborda em 1974 o tema do assédio entre adolescentes mais universalmente conhecido por “bullying” levado a um extremo de consequências terríveis nesta obra adaptada brilhantemente ao cinema por Brian de Palma em 1976.

Apesar da carnificina final, perpassa a ideia de que a verdadeira vítima é Carrie, uma menina que só queria ser amada.

4 comentários:

flicka disse...

Não li este livro do Stephen King (é um dos meus autores favoritos). Uma vez que vi o filme há uns anos, não vou ler este livro pois não consigo passar do filme para o livro. Já sei a história, lembro-me vagamente.

Miguel Garcia disse...

Olá Carla,

Stephen King é um dos escritores que me deixa uma sensação paradoxal... Gosto bastante dos livros dele, mas acho que é um enche-palha, mas consegue fazer isso de uma forma sublime. Admiro-o porque é talvez o escritor mais reconhecido no Horror, esse género tão pouco escrito nos dias de hoje. Nunca li o Carrie e o filme(penso) que não vi todo.

Beijos*

Carla Milhazes Gomes disse...

Flicka: Tmbém ja tinha visto o filme e embora prefira primeiro ler o livro e só depois ver o filme em casos semelhantes a este, desta feita sucedeu o contrário e não foi má de todo a experiência;)

Carla Milhazes Gomes disse...

Miguel: O Stephen King é um escritor que como bem disseste enche-palha e fá-lo de forma sublime e para além de tudo é um contador de histórias fenomenal; quanto ao filme, se não o viste todo, não percas a oportunidade quando a tiveres:)

Beijinhos!