
Neste pequeno livro editado pela Quasi e oferecido com o Diário de Notícias, temos acesso a quatro capítulos da obra-prima de Henry David Thoreau, “Walden”, que passo a nomear: De Economia, Onde Vivi e Para que Vivi, Animais de Inverno e Da Conclusão.
Nesta amostra de “Walden”, pressentimos a natureza intrépida da obra no seu todo por meio da exposição de uma filosofia de vida advogada pelo autor e vivenciada sem subterfúgios.
Thoreau adverte prontamente o leitor de que apenas escreverá sobre as suas experiências, sobre a realidade que conhece e que realmente ensaiou. Não lhe interessa narrar factos empreendidos por outrem. A base da sua escrita, a sua grande força anímica é a prática na primeira pessoa.
E assim, é num registo diarístico que Henry David Thoreau elabora o seu relato de vida parcimoniosa na margem do Lago Walden em Concord, Massachusetts.
A observação da natureza e a observação da natureza humana cruzam-se em várias frentes nesta obra. Se por um lado a natureza oferece ao Homem os recursos necessários à sua sobrevivência, por outro a natureza humana procura suprir as suas carências buscando meios de ultrapassar o que existe para lá da soleira da porta, acessível e sobretudo dando demasiada atenção aos detalhes da vida alheia, às futilidades que a modernidade apadrinha e que o autor enumera de forma lúcida.
Para além das suas observações concernentes à dualidade vida prosaica/ vida moderna e defesa do desprendimento material que exerce apaixonadamente, Henry David Thoreau aborda igualmente questões de cariz economicista que considero de uma actualidade incomparável, senão vejamos: «Não sou capaz de acreditar que o nosso sistema de produção é o melhor modo através do qual os homens têm acesso à roupa. A condição dos operários está a tornar-se, a cada dia que passa, mais semelhante à dos operários ingleses, o que não é de estranhar, já que, por tudo o que tenho ouvido ou visto, o principal objectivo não é que a humanidade possa apresentar-se bem vestida e de forma honesta, mas sim, inquestionavelmente, que as corporações possam enriquecer. Os homens alcançam, a longo prazo, somente aquilo que ambicionam. Assim sendo, apesar de, a curto prazo, poderem falhar, fariam melhor se almejassem algo num patamar mais elevado.»
A explanação do seu estilo e filosofia de vida é uma inspiração numa sociedade em que, a percepção do que significa a natureza e todos os recursos que a compõem é pouco clara talvez porque cada vez menos haja o contacto directo com essa Mater que nos acolheu desde tempos imemoriais.
Nesta amostra de “Walden”, pressentimos a natureza intrépida da obra no seu todo por meio da exposição de uma filosofia de vida advogada pelo autor e vivenciada sem subterfúgios.
Thoreau adverte prontamente o leitor de que apenas escreverá sobre as suas experiências, sobre a realidade que conhece e que realmente ensaiou. Não lhe interessa narrar factos empreendidos por outrem. A base da sua escrita, a sua grande força anímica é a prática na primeira pessoa.
E assim, é num registo diarístico que Henry David Thoreau elabora o seu relato de vida parcimoniosa na margem do Lago Walden em Concord, Massachusetts.
A observação da natureza e a observação da natureza humana cruzam-se em várias frentes nesta obra. Se por um lado a natureza oferece ao Homem os recursos necessários à sua sobrevivência, por outro a natureza humana procura suprir as suas carências buscando meios de ultrapassar o que existe para lá da soleira da porta, acessível e sobretudo dando demasiada atenção aos detalhes da vida alheia, às futilidades que a modernidade apadrinha e que o autor enumera de forma lúcida.
Para além das suas observações concernentes à dualidade vida prosaica/ vida moderna e defesa do desprendimento material que exerce apaixonadamente, Henry David Thoreau aborda igualmente questões de cariz economicista que considero de uma actualidade incomparável, senão vejamos: «Não sou capaz de acreditar que o nosso sistema de produção é o melhor modo através do qual os homens têm acesso à roupa. A condição dos operários está a tornar-se, a cada dia que passa, mais semelhante à dos operários ingleses, o que não é de estranhar, já que, por tudo o que tenho ouvido ou visto, o principal objectivo não é que a humanidade possa apresentar-se bem vestida e de forma honesta, mas sim, inquestionavelmente, que as corporações possam enriquecer. Os homens alcançam, a longo prazo, somente aquilo que ambicionam. Assim sendo, apesar de, a curto prazo, poderem falhar, fariam melhor se almejassem algo num patamar mais elevado.»
A explanação do seu estilo e filosofia de vida é uma inspiração numa sociedade em que, a percepção do que significa a natureza e todos os recursos que a compõem é pouco clara talvez porque cada vez menos haja o contacto directo com essa Mater que nos acolheu desde tempos imemoriais.
7 comentários:
Olá,
há um prémio para este blog, no Conta-me Histórias.
Uma referência incontornável! Para todos, em especial para os amantes da natureza.
É um livro excelente!
Um beijinho, Carla :)
Tenho pena de não ter acompanhado esta colecção, já falaste aqui de alguns livros que dela fazem parte e todos de boas referências!
Homem do Leme: Muito obrigada pelo Prémio com que honraste este blogue:)
Ana: Incontornável, de facto:) acreditas que desde que vi "O Clube dos Poetas Mortos" (E já lá vão uns bons aninhos...) que tenho este livro na cabeça? Finalmente consegui saboreá-lo ainda que parcialmente.
Beijinhos!
Pedro: Passei o verão passado a coleccioná-los, mesmo tendo ido de férias para locais mais recônditos não desisti e ainda bem porque é realmente um conjunto de obras muito interessantes:)
estou a ler o livro e apesar de inicialmente o achar entediante agora a meio começo a gostar sobretudo das varias referencias que faz a outros grandes autores poetas e filosofos. gosto
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